terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Votos de Bom Ano Novo 2026
A Casa de Sanoane de Cima deseja a todos os amigos um Ano Novo de 2026 repleto de saúde, paz e boas energias.
Que este novo ano traga união, respeito, cooperação e muitas conquistas, tanto a nível pessoal como coletivo.
Que não falte motivação para novos desafios, força para ultrapassar dificuldades e alegria para celebrar cada vitória.
Que juntos possamos continuar a caminhar com amizade, solidariedade e espírito positivo.
Um excelente 2026 para todos, com sucesso, harmonia e esperança renovada.
Feliz Ano Novo 2026!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
A Figueira Centenária da Casa de Sanoane de Cima
Na encosta tranquila da aldeia de Bucos, havia uma casa de pedra antiga e acolhedora chamada Casa de Sanoane de Cima. Ao seu lado, como uma guardiã do tempo, erguia-se uma figueira centenária, de tronco multiplo e raízes fortes, que parecia abraçar a terra.
Todos os dias, ao fim da tarde, o menino Miguel gostava de ir até à figueira pela mão do avô. O avô caminhava devagar, com o chapéu de palha na cabeça e um sorriso sereno, como quem conhece bem os segredos do lugar.
— Sabes, Miguel, — dizia o avô — esta figueira já era velha quando o meu avô era menino.
Miguel abria os olhos de espanto. Para ele, a figueira parecia quase mágica. Os seus ramos faziam sombra fresca no verão e ofereciam figos doces que perfumavam o ar.
O avô sentava-se na parede de pedra, encostado ao tronco rugoso, e começava a contar histórias. Falava de tempos antigos, de crianças que ali brincaram, de cantigas ao luar e de dias de colheita. Miguel escutava em silêncio, sentindo que a figueira também ouvia tudo, guardando cada palavra nas suas folhas.
Às vezes, Miguel encostava o ouvido ao tronco.
— O que estás a fazer? — perguntava o avô, divertido.
— Estou a ouvir as histórias da figueira, — respondia Miguel — ela sabe mais do que nós.
O avô sorria, com os olhos brilhantes.
— Talvez saibas mais do que imaginas, meu neto.
Quando o sol começava a bater no monte picoto, os dois seguiam para casa. Miguel levava sempre um figo na mão e uma história no coração. A figueira ficava ali, firme e silenciosa, protegendo a Casa de Sanoane de Cima e esperando pelo dia seguinte.
E assim, entre raízes antigas e passos pequenos, crescia uma amizade feita de amor, memória e natureza — uma amizade que nem o tempo conseguiria apagar
A Casa de Sanoane de Cima, o Cruzeiro, o Menino Miguel e o Avô
Na Casa de Sanoane de Cima, de paredes antigas e telhado de ceramica, vivia o menino Miguel com a sua família. A casa fica situada num lugar alto, de onde se viam os campos verdes, as árvores antigas e o caminho de pedra que leva até ao cruzeiro da aldeia.
Todos os fins de tarde, Miguel gostava de sentar-se à porta com o avô. O avô tinha mãos pequenas e rugosas, cheias de histórias para contar. Dizia sempre que aquelas mãos guardavam a memória da terra, do trabalho e do amor pela aldeia.
— Avô, conta-me outra história do cruzeiro — pedia Miguel, com os olhos brilhantes.
O avô sorria, levantava-se devagar e dizia:
— Então vamos até lá. As histórias gostam de ser contadas no lugar onde aconteceram.
Caminhavam juntos pelo caminho, junto muros de pedra da casa e ervas curiosas. Quando chegavam ao cruzeiro, o avô explicava que ele ali estava há muitos anos, protegendo a aldeia, ouvindo promessas, agradecimentos e preces de quem por ali passava.
— Este cruzeiro já viu muitas gerações, Miguel. Viu meninos como tu crescerem, partirem e regressarem — dizia o avô.
Miguel tocava na pedra fria do cruzeiro e imaginava todas essas pessoas, como se fossem personagens de um grande livro invisível. Sentia-se parte daquela história.
— Um dia, Miguel, serás tu a contar estas histórias — continuava o avô — e assim a Casa de Sanoane de Cima nunca será esquecida.
De volta, o sol começava a esconder-se atrás do monte, pintando o céu de laranja e dourado. Miguel segurava firme a mão do avô, sentindo-se seguro e feliz.
E assim, entre a casa antiga, o cruzeiro silencioso e as palavras sábias do avô, o menino Miguel aprendia que as histórias mais bonitas nascem da ligação entre as pessoas, a memória e o lugar onde o coração se sente em casa.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
A Casa de Sanoane de Cima, o Natal e o Menino Miguel
Era Natal na aldeia de Bucos.
Na rechã do cruzeiro, a Casa de Sanoane de Cima acordava envolvida pelo frio do inverno, mas cheia de calor no interior.
O menino Miguel chegou cedo à casa.
Ele gostava do Natal ali, porque tudo parecia mágico e verdadeiro.
Ao acordar na manhã de Natal, Miguel espreitou pela janela.
A eira estava coberta de geada, brilhando como estrelas no chão.
Dentro da casa, a lareira crepitava.
O cheiro das rabanadas e das filhoses espalhava-se pelo ar.
Miguel ajudava como podia.
Punha os guardanapos na mesa grande, onde toda a família se reunia.
À noite, todos se sentaram juntos.
Houve histórias antigas, risos e canções de Natal.
Depois da ceia, Miguel saiu um pouco.
Olhou para o céu estrelado e sentiu o Natal no coração.
Miguel percebeu que o melhor presente não estava na árvore.
Estava no amor, na união e na memória daquela casa.
Cansado e feliz, Miguel adormeceu.
A Casa de Sanoane de Cima guardou mais um Natal na sua história.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Homenagem a Dra Maria Alice Brás
80 Anos de Vida, Saber e Dedicação
Celebrar os 80 anos de Maria Alice Brás é homenagear uma vida construída com estudo, trabalho, valores familiares e profundo compromisso com a educação e a história.
Maria Alice Brás nasceu em Bucos, na Casa da Pereira, lugar de memórias fundadoras e de afetos duradouros. Cresceu no seio de uma família de seis irmãos, onde aprendeu desde cedo o sentido de partilha, responsabilidade e união. Foi em Bucos que frequentou a escola primária, iniciando um percurso de aprendizagem que viria a marcar toda a sua vida.
A vocação pelo saber levou-a a prosseguir estudos no Colégio da Torre – Sagrado Coração de Maria, em Braga, e posteriormente no Liceu Sá de Miranda, onde concluiu o ensino secundário, distinguindo-se pelo rigor e dedicação. O caminho académico culminou na Universidade de Coimbra, referência maior do ensino superior em Portugal, onde consolidou a formação que sustentaria a sua carreira de excelência.
Como professora do Ministério da Educação, Maria Alice Brás exerceu o magistério com elevado profissionalismo, exigência e sentido ético, deixando marca profunda nos alunos e colegas. A sua ação estendeu-se além-fronteiras, integrando o Ensino de Português no Estrangeiro, na Suíça, onde promoveu com sucesso a língua e a cultura portuguesas, sendo reconhecida pelo mérito, competência e dedicação.
Para além do percurso académico e profissional, destaca-se o seu mérito familiar, alicerçado em valores sólidos, na fidelidade às origens e no respeito pela história e pela memória coletiva. Hoje, residindo em Lisboa, Maria Alice Brás continua a ser uma referência de cultura, serenidade e sabedoria.
Aos 80 anos, prestamos-lhe uma homenagem sentida e justa, com profunda admiração e gratidão por uma vida exemplar, que honra Bucos, a Casa da Pereira, a sua família.
Parabéns, Professora Maria Alice Brás.
O seu legado permanece vivo, inspirando gerações.
domingo, 21 de dezembro de 2025
A Casa de Sanoane de Cima e as Férias de Verão do Menino Miguel
Na Casa de Sanoane de Cima, o verão chega devagarinho, trazendo sol quente, dias longos e muitas gargalhadas. É ali, entre a serra e o vale, que o menino Miguel vive algumas das férias mais felizes do ano.
Todas as manhãs começam com um café da manhã especial. O cheiro do pão quentinho espalha-se pela casa, misturado com o cantar dos passarinhos. Miguel come depressa, cheio de alegria, porque sabe que um grande dia está prestes a começar.
O avô, com o seu jeito calmo e sorriso tranquilo, prepara tudo na eira. Abre o guarda-sol, coloca a espreguiçadeira, arruma as cadeiras à sombra e separa as boias e as abraçadeiras. A piscina, cheia de água fresca e brilhante, parece convidar Miguel para brincar.
— Já está tudo pronto! — diz o avô.
Miguel desce a correr. Mergulha, chapinha, salta, inventa jogos e faz ondas como se fosse um pequeno peixe feliz. A água brilha ao sol, e as gargalhadas ecoam pela eira.
Os pais estão sempre por perto, atentos e tranquilos, partilhando conversas e sorrisos. O avô observa tudo com orgulho, guardando no coração cada momento daquele verão vivido em família.
Depois do almoço, quando o calor fica mais suave e a tarde parece não ter fim, tudo acontece outra vez. A piscina volta a encher-se de risos, a eira de alegria, e o tempo parece parar só para Miguel.
Assim são as férias de verão do menino Miguel na Casa de Sanoane de Cima: dias simples, cheios de cuidado, amor e memórias que crescem com ele, como um tesouro guardado para sempre no coração.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
A Casa de Sanoane de Cima
Na ladeira do tempo, a casa antiga, Ergue-se firme, com história e encanto, As paredes guardam segredos da vida, Nos sussurros do vento, um canto suave.
O cruzeiro em pé, vigilante e sereno, De braços abertos, acolhe a oração, Sob o céu que pinta de azul tão pleno, Protege a memória, traz consolação.
A figueira, amiga, sob sombra generosa, Balança dançando ao ritmo do ar, Seus galhos entrelaçam, vida preciosa, Em cada folha, uma história a brotar.
O canastro alegre, repleto de núcleos, Guarda a colheita, fruto do trabalho, Com mãos calejadas, cultiva amores, Na simplicidade, se encontra o valor.
E a fonte murmura, na dança da água, Refresca os dias, traz paz ao coração, Espelho da vida, onde a alma se apascenta, Na casa de Sanoane, encontro a razão.
domingo, 14 de dezembro de 2025
História do Ecomuseu Familiar da Casa de Sanoane de Cima
Eu chamo-me Manuel e vou contar-te um segredo.
Na Casa de Sanoane de Cima, as coisas antigas não estão paradas. Elas lembram-se. As pedras, as árvores, o forno e até os caminhos guardam histórias, como se fossem livros sem páginas.
Um dia, sentei-me à sombra da figueira grande. Era tão fresca que parecia um abraço. Enquanto comia um figo docinho, pensei: “Esta árvore já viu muitos meninos como eu.” E achei que ela estava contente por eu estar ali.
Depois fui até ao forno antigo, onde encontrei o meu amigo Lourenço. Tocámos nas pedras escuras e imaginámos o pão a sair quentinho. O forno parecia sorrir, lembrando-se das pessoas que ali riam enquanto esperavam o pão.
Mais à frente, junto ao cruzeiro, estava o José a olhar os caminhos. Ele disse-nos que aqueles caminhos levam as pessoas para muitos lugares, mas também sabem sempre trazer quem volta para casa.
Nos pomares, o Miguel mostrava-nos as árvores. Cada uma tinha frutos e histórias diferentes. Aprendemos que a terra gosta de calma e ensina a esperar.
Quando o sol ficou muito forte, apareceu o Daniel com um guarda-sol e brincadeiras de água. Rimos tanto que parecia que a casa inteira estava a rir connosco.
Nesse dia percebemos uma coisa importante: tudo aquilo era especial e não podia ser esquecido. A casa, as árvores, o forno, a eira, a água e os caminhos tinham muitas histórias para contar.
Foi assim que nasceu o Ecomuseu da Casa de Sanoane de Cima. Um museu diferente, onde se pode andar, brincar, ouvir e aprender. Um museu onde as histórias vivem fora dos livros.
E sabes uma coisa? Se vieres devagar e com atenção, talvez consigas ouvir as histórias também. Basta escutar com o coração.
A Eira da Casa de Sanoane de Cima e o Menino Miguel
Na Casa de Sanoane de Cima havia uma eira larga, feita de pedra antiga, lisa de tantos pés e de tantos anos. Era ali que o tempo trabalhava devagar, ao ritmo das estações. A eira conhecia o som das malhadas de milho e de centeio, o bater certo dos malhos, o pó dourado a subir no ar como fumo de sol.
Os meninos gostavam de ver os adultos trabalhar. Sentavam-se num canto da eira, atento, enquanto as espigas se abriam e os grãos saltavam, felizes por se libertarem. O milho fazia barulho de festa; o centeio, mais sério, caía em silêncio respeitoso.
Depois vinham os feijões. Espalhados na eira, secavam ao sol, mudando de cor, estalando de mansinho, como se conversassem entre si. Miguel ajudava a virá-los com cuidado, orgulhoso por participar naquele trabalho antigo.
Mas o tempo passou, como passa sempre. A eira continuou ali, firme, enquanto o mundo mudava.
Hoje, a eira da Casa de Sanoane de Cima é também o lugar das brincadeiras do Miguel. Onde antes ecoava o som dos malhos, ouve-se agora o riso leve da infância. Miguel chega com os seus brinquedos de água, enchendo baldes, pistolas coloridas e garrafas furadas que fazem chuva fina no ar quente do verão.
No meio da eira, um guarda-sol aberto cria uma ilha de sombra. É ali que Miguel faz pausas, bebe água fresca e imagina que a eira é um grande mar de pedra, onde ele é capitão, agricultor e aventureiro ao mesmo tempo.
A eira, paciente e sábia, aceita tudo: o trabalho de ontem e a brincadeira de hoje. Sabe que ambos são importantes. Ensina, sem falar, que o passado alimenta o presente e que a alegria das crianças é também uma forma de colheita.
E quando o sol se põe atrás dos montes, a eira da Casa de Sanoane de Cima guarda mais um dia — com cheiro a milho antigo, feijão seco e gargalhadas de água do menino Miguel.
sábado, 13 de dezembro de 2025
O Cruzeiro da Rechã de Sanoane de Cima e o Menino José
Na Rechã de Sanoane de Cima, onde a terra é lisa e o céu parece mais perto, erguia-se um cruzeiro antigo, feito de pedra clara e marcado pelo tempo. Diziam os mais velhos que aquele cruzeiro guardava histórias, segredos e pedidos sussurrados ao vento.
O menino José passava por ali todos os dias. Era curioso, atento e gostava de se sentar à sombra do cruzeiro para ouvir os sons da aldeia: o canto distante dos galos, o murmúrio das ribeiras e o ranger suave dos carros de bois ao longe.
Certo dia, José reparou que o cruzeiro parecia diferente. A pedra estava morna, como se tivesse apanhado sol por dentro. Aproximou-se e colocou a mão com cuidado. Nesse instante, uma brisa leve rodopiou à sua volta, trazendo um cheiro antigo de giestas e pão acabado de cozer.
— José… — sussurrou uma voz doce, que parecia vir da própria pedra.
Assustado, mas corajoso, o menino ficou quieto.
— Sou o guardião da Rechã, continuou a voz. Vejo gerações passarem, brincarem, crescerem. Preciso de alguém que cuide das memórias da aldeia.
José sentiu o coração bater mais depressa. Prometeu que protegeria aquele lugar, que respeitaria a terra, as pessoas e as histórias que ali viviam.
Desde esse dia, o menino José passou a limpar as ervas em volta do cruzeiro, a sentar-se ali para contar histórias aos mais novos e a ouvir os mais velhos, guardando cada palavra como um tesouro.
E o cruzeiro, silencioso mas atento, parecia sorrir em pedra sempre que José passava. Dizem que, até hoje, quem se senta na Rechã de Sanoane de Cima sente uma paz especial — a paz de um lugar onde um menino aprendeu que cuidar da memória é também cuidar do futuro.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
A Rechã de Sanoane
Na rechã de Sanoane, o tempo abranda,
sobre a terra aberta ao céu antigo,
ergue-se o cruzeiro, guardião de silêncios,
cruz de pedra onde a fé repousa e vigia.
Ali, os passos antigos deixaram sinais,
vozes de outrora misturam-se ao vento,
rezas baixas, promessas simples,
a sombra do cruzeiro alonga-se na tarde.
A Casa de Sanoane de Cima observa,
de janelas abertas ao vale e à memória,
paredes que guardam risos, lutos e esperança,
coração de pedra onde a vida sempre voltou.
Entre a casa e o cruzeiro corre a história,
feita de encontros, partidas e regresso,
terra partilhada, chão de comunidade,
onde cada pedra sabe o nome de quem passou.
E quando o sol se deita por trás dos montes,
a rechã fica em silêncio dourado,
como se o lugar inteiro rezasse baixinho,
agradecendo o dia, guardando o amanhã.
O Limoeiro da Casa de Sanoane de Cima e a Menina Luisa
No alto da colina, a casa de Sanoane de Cima guardava um tesouro: o lindo limoeiro siciliano, de copa frondosa e generosa. Luisa, com seus olhos curiosos, visitava-o diariamente. Na primavera, o arbusto se enfeitava com flores brancas que perfumavam o ar. No verão, os frutos amarelos pendiam, prometendo magia. Dali saíam os limões que temperavam os peixes do rio, as carnes assadas e, principalmente, os sucos ácidos que Luisa adorava, com seu sabor que explodia de frescor. Era mais que uma planta; era um amigo silencioso e imprescindível na vida simples daquela casa rural.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Verão em Bucos
No verão em Bucos, na casa de Sanoane de Cima, as tardes estendem-se douradas sobre os vales, onde o calor parece vibrar no ar parado. O canto dos grilos sobe das clareiras, marcando o compasso lento da natureza, enquanto os pinheiros se balançam suavemente, como se abanassem o calor com gestos pacientes. Há no ar o sabor fresco da água das fontes, que corre límpida pelas encostas, e a paz morna das estradas de paralelo que guardam passos antigos. Nos tanques de pedra, a água clara espelha o céu e refresca o sol que cai sobre as eiras, trazendo um descanso sereno aos que por ali passam. É um verão cheio de calma, memória e encantamento.
domingo, 23 de novembro de 2025
Custódio Henriques Braz (1920 - 1980) homenagem
Homenagem a Custódio Henriques Braz
(1920 – 1980) Filho da Casa da Pereira, Bucos.
Nas terras altas de Bucos, onde o vento traz histórias antigas e o rio Peio murmura memórias, nasceu em maio de 1920 um homem cuja vida deixaria marca profunda na aldeia: Custódio Braz, da Casa da Pereira.
Cresceu entre montes, rios, campos e tradições, numa família numerosa e marcada pela dureza dos tempos. Era um de doze irmãos, muitos deles partidos cedo demais — tanto que o pequeno Custódio foi batizado ainda na barriga da mãe, Maria, num acto de fé realizado junto à Ponte da Pereira, onde a vida e a esperança se encontravam nas margens do rio Peio.
Foi aluno da escola primária de Bucos, onde o professor Paulo Casalta rapidamente reconheceu o seu talento: Custódio era um aluno brilhante, dedicado, curioso e disciplinado, atributos que levaria consigo para toda a vida.
Ligado profundamente às raízes da terra, seguiu o caminho dos que conhecem o valor do sol, da chuva e das estações. Tornou-se agricultor e criador de gado barrosão, guardião de uma raça que representa a força e a identidade do Minho e da Serra da Cabreira. O seu trabalho era um testemunho silencioso de resistência, amor à terra e dignidade.
Casou com Ana, de Urjais, e juntos construíram um lar na mesma Casa da Pereira que o viu nascer. Deste amor nasceram seis filhos:
Maria, Manuel, Albano, José, Fernando e Alda, que carregam consigo o legado do pai — o valor da simplicidade, a força do trabalho e a nobreza de caráter.
Custódio Braz pertence àqueles homens que não precisam de monumentos para serem lembrados. A sua memória está nas terras que lavrou, nas pedras da casa onde viveu, na ponte onde foi abençoado antes mesmo de nascer, e sobretudo nas vidas que tocou com a sua bondade serena.
Foi um homem da terra, da família e da fé — e é assim, com respeito e gratidão, que Bucos e os seus descendentes lhe prestam homenagem:
a Custódio Braz, homem de coragem, de silêncio firme e de grande coração.
🎶 “Igreja Velha de Bucos – Cantiga a São João Batista”
🎶 “Igreja Velha de Bucos – Cantiga de São João Batista”
I
Nasceu a igreja em Bucos, no sopé da serra fria,
Duma capela antiga, guardiã da aldeia um dia.
Era da Casa Sanoane, de granito bem firmado,
Onde o povo se reunia, com o coração apertado.
Refrão
Ó Igreja de Bucos, tua luz nunca se gasta,
Soa o sino na montanha, chama o povo, chama a graça.
Entre pedra e madeira, cresce a fé que nunca passa,
São João é teu padroeiro, teu guardião na madrugada.
II
Quando Bucos pertencia a São Nicolau lá distante,
Vinha o pároco rezar missa no silêncio palpitante.
Na capela de Sanoane, ecoava a devoção,
E a aldeia inteira subia, quase sempre em procissão.
Refrão
Ó Igreja de Bucos, tua luz nunca se gasta…
III
Foi no ano setecentos e setenta e cinco, dizem,
Que a capela cresceu mais, para os fiéis que ali vinham.
Fez-se então a grande igreja, de São João Batista,
Com quatro altares laterais e o altar-mor que ainda brilha.
IV
O chão velho de granito, frio, firme, ancestral,
Abraça o novo acrescento, feito em madeira real.
E a abóbada redonda, toda pintada à mão,
Mostra João Batista ao centro, entre dourados de oração.
Refrão
Ó Igreja de Bucos, tua luz nunca se gasta…
V
Pelas escadas exteriores, lá se sobe devagar,
Ao coro feito em madeira, onde a voz aprende a voar.
E no púlpito central, ecoa a palavra antiga,
Que o mestre da aldeia lia como se fosse cantiga.
Final
Assim cresce esta memória, no coração dos montes,
Entre romarias e sinos, entre rezas e horizontes.
Igreja de São João, guardas a alma do povo,
És legado de Bucos velho, és promessa de amanhã novo.
História da Igreja de São João Batista de Bucos
No coração da aldeia de Bucos, onde as montanhas se dobram em silêncio e o rio Peio murmura histórias antigas, ergue-se a Igreja de São João Batista, guardiã de séculos de fé e memória. A sua origem remonta a tempos remotos, quando uma pequena capela, pertencente à Casa de Sanhoane, servia de refúgio espiritual aos habitantes da região.
Naqueles dias, Bucos pertencia ainda à paróquia de São Nicolau. Era pois o pároco dessa freguesia quem, atravessando caminhos de terra batida, subia à Casa de Sanhoane para ali rezar missa, iluminando com a sua presença o modesto templo de pedra granítica. Com o passar dos anos, porém, a devoção da comunidade cresceu, e a pequena capela revelou-se estreita para acolher tantos corações reunidos na fé.
Por volta de 1877, decidiu-se então ampliar o espaço sagrado. A antiga capela foi prolongada, engrandecida, e com esse gesto nasceu a Igreja de São João Batista de Bucos, tal como hoje a conhecemos. A transformação não apagou a história anterior: pelo contrário, guardou-a nos muros espessos e no chão de granito que ainda hoje marca o limite da capela original.
O novo corpo da igreja foi construído com elegância, dotado de uma abóbada de madeira, de forma redonda, que se eleva como um céu doméstico sobre os fiéis. No centro dessa abóbada repousa uma pintura de São João Batista, gloriosa e serena, rodeada por discretos ornamentos em folha dourada que brilham quando a luz da tarde entra pelos vitrais.
O pavimento da igreja, tal como a sua história, divide-se em duas épocas: a pedra granítica herdada da capela primitiva, e o soalho de madeira que acompanha a ampliação setecentista, criando um diálogo silencioso entre o passado e o presente.
Quatro altares laterais, além do altar-mor, compõem o interior, guardando imagens e devoções populares que atravessaram gerações. E como testemunho da arquitetura do tempo, no exterior encontramos uma escadaria de pedra que conduz ao coro alto, inteiramente feito em madeira. De lá, quem observa tem uma visão privilegiada da nave e do púlpito, o pequeno oratório elevado ao centro da igreja, de onde outrora ecoavam sermões que ressoavam por toda a aldeia.
Assim permanece a Igreja de São João Batista de Bucos: não apenas um edifício, mas um livro de pedra e madeira, onde a fé, a história e a vida da comunidade se escrevem há mais de dois séculos. Uma casa sagrada que, nascida de uma capela singela, cresceu com o povo e continua a ser o seu coração espiritual.
terça-feira, 18 de novembro de 2025
A História da Casa de Sanhoane de Riba
Uma História, uma Casa e uma Família
Há casas que não são apenas paredes. São raízes abertas na terra, ancoradas no tempo, erguidas pelo labor e pela memória de quem ali viveu. A Casa de Sanhoane é uma dessas casas — não apenas pedra sobre pedra, mas um livro antigo, escrito por gerações que passaram, deixaram marcas, e seguiram adiante para que outros pudessem continuar.
Dizem as memórias paroquiais que tudo começa, ou pelo menos começa a ser lembrado, com o casamento de Simão Delgado e Margarida Francisca, em 18 de junho de 1677. Ela surge descrita como “da Casa de Sanhoane”, como se a casa fosse parte do seu nome, da sua identidade, da sua própria pele. A casa já existia antes deles — talvez mais modesta, talvez mais rústica — mas é com esta união que ela entra na história escrita, que se fixa nos livros, que ganha rosto.
Simão morre em 1710 — e ali as escrituras silenciam o nome da casa. Mas não o apagam. No mesmo ano aparece António Delgado, “da Casa de Sanhoane”, a continuar a linhagem, como se a casa fosse um fôlego que passava de geração para geração, sempre vivo, sempre presente.
Por fora, a casa mantinha-se humilde e firme:
pedra granítica, eira ampla que refletia o sol das colheitas, alpendre que acolhia conversas e descanso, e a escadaria de vinte degraus que levava ao andar superior, onde as janelas observavam o mundo com a mesma paciência de quem espera que o tempo conte a sua história.
À frente, um cruzeiro, como tantos na serra, marcava a entrada — talvez um sinal de proteção, talvez um testemunho de fé, talvez apenas um ponto de encontro entre vivos e mortos, passado e futuro.
A sala, virada para a eira, era o coração da casa: era ali que se partilhava o pão, as histórias, as dificuldades e as alegrias. Ali se discutiam casamentos, colheitas, invernos rigorosos, e as idas e vindas de quem procurava trabalho longe. Nos quartos, duas janelas deixavam entrar o frio da serra e a claridade dos dias. Do hall, outra janela vigiava discretamente o alvorecer sobre Bucos.
Geração após geração, muitos passaram por aqueles degraus. Uns ficaram, outros partiram. Mas todos levaram consigo um pedaço da casa, e todos deixaram nela um pedaço de si.
Hoje, a Casa de Sanhoane continua — não apenas na pedra, mas na memória familiar, no orgulho de quem sabe de onde veio, e no esforço de preservar o que sempre foi mais do que património: foi e é identidade.
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