quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
VisitBucos, Seus Moinhos
Os Moinhos de Bucos: Guardiães da Água e da Memória
Em Bucos, aldeia de montanha moldada por vales estreitos e pela força tranquila do rio Peio, os moinhos de água ergueram-se durante séculos como verdadeiras máquinas da sobrevivência rural. Mais do que simples engenhos, eram centros de encontro, trabalho e partilha — lugares onde a água, a pedra e o esforço humano se misturavam para dar vida ao pão de cada dia.
Os moinhos de água funcionam aproveitando a força da corrente. A água é desviada do rio através de levadas e açudes, conduzida com precisão até às rodas que, ao girar, transmitem movimento ao eixo mestre. Este movimento chega às mós — grandes pedras circulares que transformam o milho e o centeio em farinha fina, base da broa que sempre perfumou as cozinhas de Bucos. Era uma engenharia simples, mas engenhosa, criada para trabalhar em harmonia com a natureza.
No curso do rio Peio, encontram-se alguns dos mais emblemáticos moinhos da freguesia, cada qual ligado a uma casa e a uma família que os mantiveram ativos ao longo de gerações. Entre eles destacam-se os moinhos da Casa do Serra, da Casa da Senra, da Casa de José, da Casa de Sanoane de Cima e da Casa da Pereira. Alguns ainda conservam a estrutura original; outros guardam apenas as ruínas que recordam tempos de intensa atividade agrícola. Mas todos, sem exceção, contam histórias de vida: de madrugadas frias, de sacas de milho ao ombro, do som cadenciado das mós, do cheiro a farinha quente e do convívio entre vizinhos.
Assim, os moinhos de Bucos não são apenas peças de arqueologia rural. São testemunhos vivos de uma cultura de trabalho comunitário, da adaptação humana ao território e da profunda ligação entre a aldeia e o seu rio. À medida que o tempo passa, continuam a ecoar — na paisagem, na memória e no orgulho de quem os viu, os usou ou apenas os guarda como parte da sua identidade.
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