segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Uma Casa, uma Familia, um Ecomuseu
Uma Casa, Uma Família, Um Ecomuseu Familiar
A Casa de Sanoane de Cima é mais do que um edifício rural: é um lugar de memória, identidade e continuidade. Implantada na paisagem de Bucos, esta casa foi, ao longo de gerações, o centro da vida quotidiana, do trabalho agrícola e das relações familiares, acompanhando o ritmo das estações e da comunidade envolvente.
Ligada à família Bráz, a casa representa a herança transmitida de pais para filhos, onde os saberes tradicionais, os costumes e a ligação à terra foram preservados com respeito e dedicação. Cada espaço da casa, cada objeto e cada estrutura de apoio — como o canastro, a eira, o alpendre ou o palheiro — testemunham modos de vida antigos e a capacidade de adaptação ao longo do tempo.
Hoje, a Casa de Sanoane de Cima afirma-se como um ecomuseu familiar. Aberta à partilha, transforma a vivência privada num património coletivo, valorizando a história da família Bráz e da aldeia de Bucos. O ecomuseu não se limita a expor objetos, mas convida à compreensão do território, da natureza e das práticas rurais, promovendo a preservação da memória, da cultura local e da sustentabilidade.
Assim, a Casa de Sanoane de Cima continua viva: uma casa com história, uma família guardiã da tradição e um ecomuseu que une passado, presente e futuro
Lugar de Bucos, Cabeceiras de Basto
O Lugar de Bucos, situado no concelho de Cabeceiras de Basto, distrito de Braga, é uma aldeia de montanha onde a natureza, a história e as tradições rurais se entrelaçam de forma harmoniosa. Enquadrado por serras verdejantes, campos agrícolas e cursos de água, Bucos conserva uma paisagem autêntica, marcada pelo ritmo das estações e pelo trabalho da terra.
As casas de granito, muitas delas seculares, testemunham uma ocupação humana antiga e uma forte ligação às práticas agrícolas e pastorícias. Eiras, canastros, espigueiros e caminhos rurais fazem parte do quotidiano visual da aldeia, evocando modos de vida tradicionais que ainda hoje persistem na memória coletiva.
Bucos é também um lugar de vivências comunitárias, onde as festas religiosas, os trabalhos agrícolas partilhados e as histórias transmitidas de geração em geração reforçam o sentimento de pertença. A hospitalidade das suas gentes e o respeito pela terra refletem um património cultural vivo, construído ao longo do tempo.
Inserido num território de grande valor natural, o Lugar de Bucos convida à contemplação, ao contacto com a natureza e à descoberta de um Portugal rural genuíno, onde o passado e o presente coexistem em equilíbrio.
Casa de Sanoane de Cima
A Casa de Sanoane de Cima é um testemunho vivo da arquitetura rural e da memória familiar da aldeia de Bucos, integrada numa paisagem de montanha marcada pelo trabalho agrícola e pela relação profunda com a terra. A sua origem remonta, muito provavelmente, ao século XVII, refletindo as formas de construção tradicionais da região, adaptadas ao clima e às necessidades da vida rural.
Ao longo do tempo, a casa foi sendo ampliada e reconstruída, destacando-se a intervenção de 1841, realizada pela família Henriques Basto, que consolidou a estrutura do edifício e lhe deu a configuração que, em grande parte, chegou aos nossos dias. Construída em pedra, com volumes simples e funcionais, a casa integra elementos essenciais do quotidiano rural, como o alpendre, o palheiro e a eira, espaços diretamente ligados às atividades agrícolas e à economia doméstica.
No ano 2000, a Casa de Sanoane de Cima foi alvo de melhorias e o seu interior adaptado às exigências da vida contemporânea, preservando, contudo, a identidade histórica e o caráter original do edifício. Hoje, pertencente à família Henriques Bráz, a casa mantém-se como um símbolo de continuidade, onde a história, a memória e o património se cruzam, afirmando-se como um valioso exemplo da herança cultural de Bucos e da vivência rural ao longo dos séculos.
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